A Igreja Primitiva foi organizada sem coleta. Sua organização se deu no dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo desceu poderosamente sobre os discípulos de Cristo, e na descrição desse fato não percebemos a presença de alguns homens passando no meio da multidão com uma bandeja ou sacola pedindo esmola para Deus. Mas, no reinado de Cláudio, que foi de 41 a 54 d.C., aconteceu em todo o mundo uma grande fome, que foi predita pelo profeta Agabo (At 11.28) e Cláudio ordenou que todos os judeus saíssem de Roma (At 18.2) e eles voltaram para Jerusalém; mas voltaram sem nada, e começaram a passar muita necessidade. Então as igrejas da Macedônia e da Acaia resolveram voluntariamente, sem que ninguém pedisse, levantar uma coleta para socorrê-los (Rm 15.26). Paulo apreciou a atitude dessas igrejas e resolveu recomendar que as outras igrejas as imitassem, e todos atenderam.
Esta coleta ou esmola, no entanto, não era feita todos os domingos, mas só quando havia oportunidade de alguém que fosse a Jerusalém para levá-la. Não se passava uma sacola ou salva na frente das pessoas; mas cada um ajuntava, em sua casa, o que pudesse durante a semana (l Co 16.2) e depois passava alguém coletando o que foi ajuntado para levar a Jerusalém. Foi por isso que recebeu o nome de coleta. Só se fazia quando havia oporrtunidade de alguém que fosse a Jerusalém para levá-la. Mas tendo cessado a necessidade dos pobres da Judéia, cessou também aquela coleta. A igreja, porém se corrompeu, transformou-se em Igreja Romana, e como a Igreja Romana usa de todos os meios para levantar dinheiro, inclusive jogo e extorsão de moribundos, verificou que houve uma esmola levantada para socorro dos pobres e que essa esmola recebeu o nome de coleta, fez voltar novamente este costume para seu ofício religioso. Vieram os reformadores do século 16, e a sua tarefa era tão grande e tão pesada, que eles não perceberam que coleta é pecado e permitiram que a coleta continuasse nas Igrejas Reformadas. Mas nós somos os continuadores da Reforma, de modo que, se percebermos que há alguma coisa errada na igreja temos obrigação de corrigí-la.
Acabo, porém, de dizer-vos uma coisa muito grave. Disse que coleta é pecado. Portanto preciso provar que coleta, como se faz hoje, é pecado. Nós recebemos uma visita em casa e fazemos questão de homenageá-la com uma xícara de café — ora uma xícara de café custa R$ 0,80. Se procurarmos na sacola da coleta encontraremos moedas de 10, 25 e 50 centavos e notas de 1 ou 5 reais. Tudo isto é pecado. Se pegarmos duas moedas de 10 centavos, elas representam um quarto de xícara de café. Cobre apenas o fundo da xícara. Alguém tem coragem de receber uma visita importante em sua casa, servir um quarto de xícara de café e levar para sua visita? Para Deus, porém, estão fazendo isto todas as semanas e isto é pecado, porque o que eu não posso oferecer ao meu próximo, muito menos posso oferecer para Deus. Felizmente este argumento não é meu; é de Deus e está em Malaquias 1.8, onde Deus diz: Quando trazeis animal cego para o sacrificardes, não é isso mal? E quando trazeis o coxo ou o enfermo, não é isso mal? Ora, apresenta-o ao teu governador; acaso, terá ele agrado em ti e te será favorável? - diz o SENHOR dos Exércitos. Isto é uma terrível condenação das igrejas que usam métodos diferentes daquele que Deus pediu — o dízimo. Deus está perguntando o seguinte: Você tem coragem de oferecer ao seu governador isso que você está me oferecendo?
(Cont...)
Rev. Jacob Silva
OBS: Pastorais baseadas no livro "Fidelidade e Bênção".
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