No dia do homem presbiteriano pensemos sobre esta pergunta e sobre a resposta do famoso psiquiatra Luis Cuschnir em entrevista a revista Veja.
Veja — Os homens já não sabem comportar-se como homens?
Cuschnir — Os homens de hoje estão falidos em seu papel masculino. Eles sentem-se infelizes, nervosos e vulneráveis. Uma boa parte deles sofre de séria insegurança financeira, o que afeta diretamente sua condição de macho. Isso porque o trabalho é o pano de fundo da identidade masculina. O homem imagina que quanto mais dinheiro, quanto mais prestígio, mais macho será diante da sociedade. Por isso, busca como nunca a realização profissional. Ao mesmo tempo, demonstra uma ânsia incomensurável por atingir a tranqüilidade emocional. Do ponto de vista afetivo, ele não consegue se realizar e menos ainda se dedicar à mulher e à vida familiar como gostaria. Isso ocorre, primeiro, porque não foi ensinado a fazer isso. Segundo, porque está muito insatisfeito com sua relação com as mulheres. No fundo, segue acreditando que elas o escolhem por sua posição profissional.
Talvez seja este o pensamento de nosso século, uma triste realidade! Mas entre nós, qual é o critério de escolha de um homem, como devemos enxergá-lo no sentido de optar por ele como amigo, como esposo, como pai, como diácono, presbítero? Será que valorizamos as pessoas pelo dinheiro, pelo prestígio que o mesmo demonstra por suas conquistas? Minha reposta às estas perguntas estaria nas palavras de Paulo: Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo (Col. 3:23-25). O texto de Paulo é um formador dos nossos critérios de escolha: Queremos homens que em tudo o que fazem, façam de coração, olhando não para pessoas, mas olhando para Deus. Em outras palavras são servos de Deus, que têm sua motivação principal em glorificar a Deus. Que se realizam em fazer a vontade de Deus. Homens que pensam assim se esforçam em ser bons maridos, bons pais, bons filhos, bons funcionários. Não por status mar por missão. Homens assim encontram nas frustrações da vida não o desânimo, mas pelo contrário, encontram forças para melhorar sempre, afinal de contas sua recompensa vem de Deus. São homens que têm como meta servir a Deus em sua vocação existencial.
Caros irmãos em setembro de 1966 realizou-se em Campinas o 1º Congresso Nacional dos Homens Presbiterianos, quando foi escolhido como “Dia do Homem Presbiteriano” o 1º domingo do mês de fevereiro. Por isso, hoje comemoramos este dia, e que o mesmo seja um dia de reflexão, no qual possamos ver nos homens cristãos, não uma crise, nervosismo, tristeza, sofrimento, insegurança. Que tenhamos homens não preocupados em ser alguém por ser alguém, meramente em ser aceitos por outros, mas que tenhamos homens seguros em suas convicções de que o Deus todo poderoso é sua força e a sua principal alegria, é sua real motivação na missão de servir a Deus como homens presbiterianos.
Rev. Donizeti R. Ladeia
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